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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Vozes gravadas na oficina para análise harmônica dos timbres
Roteiro para experimento utilizando o software praat
Experimento
– série harmônica
“Dificílimo acto é o de escrever, (...) mas, por muito que se
esforcem os autores, uma habilidade não podem cometer, pôr por
escrito, no mesmo tempo, dois casos no mesmo tempo acontecidos. Há
quem julgue que a dificuldade fica resolvida dividindo a página em
duas colunas, lado a lado, mas o ardil é ingênuo, porque primeiro
se escreveu uma e só depois a outra, sem esquecer que o leitor terá
de ler primeiro esta e depois aquela, ou vice-versa, quem está bem
são os cantores de ópera, cada um com a sua parte nos concertantes,
três quatro cinco seis entre tenores baixos sopranos e barítonos,
todos a cantar palavras diferentes, por exemplo, o cínico
escarnecendo, a ingénua suplicando, o galã tardo em acudir, ao
espectador o que lhe interessa é a música, já o leitor não é
assim, quer tudo explicado, sílaba por sílaba e uma após a outra,
como aqui se mostram.” (José Saramago, A jangada de pedra)
I - Um som – Muitos sons
A) som + som = som
1-
Vamos gerar algumas ondas harmônicas. Procedimento: Menu “New” →
“Sound”
→
“Create Sound...”. No espaço “Formula”, escreva:
“1/2 * sin(2*pi*f*x)”,
onde a letra f representa o
valor da freqüência desejada (por que?) e x representa o tempo.
Repita esse procedimento várias vezes, gerando sons com as seguintes
freqüências: f=220 Hz (lá) ; f=233 Hz (lá#) ; f=330 Hz (mi) ;
f=440 Hz (lá).
2- Selecione todos os sons e
clique no botão “Play” para ouví-los.
3- Selecione um dos sons e
clique no botão “Edit” para visualizá-lo. Selecione uma pequena
parte da onda e clique no botão “sel” para vê-lo em zoom.
4- Meça a periodicidade dessa
onda. Verifique que o resultado está coerente com a freqüência do
som.
5- Agora vamos somar dois
sons. Crie um novo som em que, no espaço fórmula, esteja escrita a
seguinte expressão:
“1/2 * sin(2*pi*f1*x) + 1/2
* sin(2*pi*f2*x)”,
em que f1 e f2 são as
freqüências que iremos somar. Utilize sempre f1=220 Hz (freqüência
fundamental). Para f2, substitua os seguintes valores: f2=233 Hz
(“batimento”); f2=330 Hz (“quinta”); f2=440 Hz (“oitava”
– do ponto de vista da física, segundo harmônico); f2=660 Hz
(“quinta2” – do ponto de vista da física, terceiro harmônico).
6- Ouça os sons produzidos.
Em seguida, edite cada um deles, procurando analisar sua forma e
determinar o valor do período (e, a partir dele, da freqüência) de
cada um dos sons produzidos.
B) som = som + som
1 – Selecione o som “mi”
(f=330 Hz). Clique no botão “Spectrum” →
“To Spectrum...”. Desabilite a seleção da opção “fast” e
clique em “ok”. Selecione o novo objeto gerado e clique em “Edit”
para visualizá-lo. Trata-se de um espectro de freqüências. Note
que há um pico na freqüência que caracteriza o som.
2 – Agora selecione o som
“quinta” (f1=220 Hz e f2=330 Hz). Realize procedimento idêntico
ao do ítem 1. Analise o espectro de freqüências desse som.
3 – Vamos analisar agora o
espectro de freqüências da sua voz. Clique em “New” →
“Record mono sound ...”. Clique em “Record” e produza um “a”
durante alguns segundos. Clique em “Stop”, dê o nome “a”
para o som e clique em “Save to list”. A seguir produza um “e”
durante alguns segundos (de preferência, na mesma nota em que você
produziu o “a”).
4 – Selecione o som “a”
e clique em “Edit” para visualizá-lo. Analise sua forma e
determine seu período e freqüência. Feche a janela de edição do
som e, com o som “a” selecionado, clique em “Spectrum” →
“To Spectrum”. Selecione o novo objeto gerado e clique em “Edit”
para visualizá-lo. Analise os diversos picos presentes no gráfico.
Em especial, amplie a região de freqüências mais baixas e veja o
valor da freqüência do “primeiro pico” (menor freqüência –
chamada freqüência básica). Observe se há alguma relação entre
essa freqüência e a freqüência dos demais picos (chamados
harmônicos).
5 – Selecionando uma região
do espectro e clicando com o mouse na região selecionada, você pode
ouvir o som correspondente àquelas freqüências somadas. Assim,
você pode selecionar bandas cada vez mais largas de freqüências
(partindo das freqüências mais baixas e cada vez incluindo mais
freqüências agudas) e ouvir a sua voz, emitindo um “a”, se
formando aos poucos.
6 – Faça o mesmo para o som
“e”. Você saberia responder qual a diferença entre um som “a”
e um som “e” emitidos em uma mesma nota (mesma freqüência
básica)?
7 – Ouça o som proposto
pelo professor, em que um cantor mantém a mesma freqüência básica,
variando seus harmônicos.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Escritos sobre Música de Steve Reich
Segue o original em inglês do texto
"Escritos sobre Música", Writings
About Music, de S.
Reich:
Na sequência
há um texto dele sobre um dispositivo gerador de phase shifting (Phase Shifting
Pulse Gate) e a obra Four Organs. É curioso observar
dele e seus colaboradores com os aparelhos.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Estradas Musicais
Estradas Musicais
São estradas que auxiliam na produção de "música" do carro que estiver passando por ela.
O fato se dá por conta de ranhuras que foram planejadas na pista, fazendo com que as vibrações do carros passando por essas ranhuras, produza música.
Funciona como uma trilha sonora da vida real, se quiser conferir, dê uma olhadinha no vídeo (as vibrações que produzem os sons começam a partir de 0,48s):https://youtu.be/gd04H1EIBds
Música como um Processo Gradual
Steve
Reich/1968
(trad.
Ramiro Murillo)
Eu
não me refiro ao processo de composição, mas a peças musicais que
são, literalmente, processos.
O
aspecto distintivo dos processos musicais é que eles determinam
todos os detalhes nota-a-nota e a forma geral simultaneamente. (Pense
num cânone perpétuo.)
Estou
interessado em processos perceptíveis. Quero ser capaz de ouvir o
processo acontecendo através da música que soa [sounding
music].
A
facilitação da escuta minunciosamente detalhada de um processo
musical deveria acontecer de maneira extremamente gradual.
A
performance e escuta de um processo musical gradual combina:
suspender um balanço, soltá-lo e
observá-lo gradualmente voltar ao repouso;
virar uma ampulheta e observar a
areia lentamente escorrer até o fundo;
colocar seus pés na areia à
beira do oceano e observar, sentir e ouvir as ondas gradualmente os
enterrando.
Apesar
do meu eventual prazer em descobrir processos musicais e compor
material musical para percorrê-los, uma vez que o processo está
pronto e carregado, ele anda por si mesmo.
O
material pode sugerir qual tipo de processo a ser percorrido
(conteúdo sugere forma), e processos podem sugerir que tipo de
material poderia percorrê-los (forma sugere conteúdo). Se o sapato
serve, vista-o.
Se
um processo musical é realizado numa performance humana ou através
de meios eletromecânicos não é o aspecto mais importante. Um dos
concertos mais bonitos que já ouvi consistia em quatro compositores
tocando suas fitas num salão escuro. (Uma fita é interessante
quando é uma fita interessante.) [A
tape is interesting when it's an interesting tape.]
É
bastante natural pensar em processos musicais quando se trabalha com
equipamentos de som eletromecânico. Toda música acaba se tornando
música étnica.
Processos
musicais podem oferecer um contato direto com o impessoal e também
uma espécie de controle completo, apesar de não ser costume pensar
no impessoal e no controle completo como vindo juntos. Por uma
"espécie" de controle completo eu quero dizer que, ao
deixar correr o material através deste processo, eu controlo
completamente tudo que resulta, mas também aceito tudo que resulta
sem alterar nada.
John
Cage usou processos e certamente aceitou seus resultados, mas os
processos usados eram composicionais do tipo que não podiam ser
ouvidos durante a execução da peça. O processo de usar o I
Ching ou imperfeições
numa folha de papel para determinar os parâmetros musicais não
podem ser ouvidos ao se escutar uma música composta desta maneira.
Os processos composicionais e a música que soa [sounding
music] não têm
conexão audível. Similar é a música serial, em que a própria
série é raramente audível. (Esta é uma diferença básica entre
música serial (basicamente europeia) e arte serial (basicamente
norte-americana), onde a série percebida é em geral o ponto focal
da obra.)
O
que me interessa é um processo composicional e uma música soante
que são uma e a mesma coisa.
James
Tenney disse numa conversa: "quando o compositor não é privado
de nada". Não conheço nenhum segredo estrutural que não seja
audível. Todos ouvimos o processo juntos, já que ele é bem
audível, e uma das razões de que ele seja bem audível é porque
acontece de maneira extremamente gradual.
O
uso, na música, de dispositivos estruturais ocultos nunca me atraiu.
Mesmo quando as cartas estão na mesa e todos ouvem o que está
gradualmente acontecendo num processo musical, ainda há mistérios
suficientes para satisfazer a todos. Estes mistérios são os
subprodutos impessoais, não-intencionais e psicoacústicos do
processo. Estes podem incluir sub-melodias ouvidas em padrões
melódicos e efeitos estereofônicos devidos à localização do
ouvinte, leves irregularidades na performance, harmônicos,
diferenças de timbre etc.
Escutar
um processo musical extremamente gradual abre meus ouvidos a isso,
mas isso
se estende além do que posso ouvir, o que torna interessante ouvir o
processo musical novamente. Esta área de todo processo musica
gradual (completamente controlado), onde se ouvem os detalhes do som
se movendo para fora das intenções, ocorrendo por suas próprias
razões acústicas, é isso.
Começo a perceber estes detalhes
minuciosos quando consigo sustentar uma atenção precisa [close
attention] e um
processo gradual a convida. Por "gradual" me refiro a
extremamente gradual; um processo acontecendo tão lenta e
gradualmente que escutá-lo remete a observar o ponteiro de minutos
de um relógio - você pode percebê-lo se movendo depois de ficar um
tempo com ele.
Diversas
músicas populares e modais atuais como a música clássica indiana e
o rock 'n roll podem nos deixar atentos a minuciosos detalhes sonoros
porque, por serem modais (centro tonal constante, zunidos hipnóticos
e repetitivos), elas focam naturalmente nestes detalhes em vez da
modulação tonal, contraponto ou outras peculiaridades ocidentais.
Entretanto, estas músicas modais deixam estruturas mais ou menos
estritas de improvisação. Elas não são processos.
O
aspecto distintivo dos processos musicais é que eles determinam
todos os detalhes nota-a-nota e a forma geral simultaneamente. Não
se improvisa em um processo musical - estes conceitos são mutuamente
exclusivos.
Na
performance e escuta de processos musicais graduais pode-se
participar de uma espécie de ritual particularmente libertador e
impessoal. Dar foco ao processo musical torna possível o desvio da
atenção para longe de ele
e ela
e você
e eu,
em direção ao isso.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Programa:
Música de Processo
A música de processo é aquela música que surge de um
processo que se torna audível e, a partir de critérios estéticos do músico/ouvinte/performer, linguagem músical. Nesta oficina, os processos estudados serão:
microfonia, defasagem e filtragem sonora. Serão utilizados vários conceitos físicos
para gerar música: equalização, oscilação pendular, feedback, defasagem, atrito. Além disso, abordaremos os
conceitos musicais de tonalidade, harmonia e ritmo, e outros originários da música do séc 20, como a quadrifonia e serialismo.
Parte 1 – Pendulum Music
Conheceremos o conceito de defasagem na música
minimalista
de Steve Reich, que influenciou diversos compositores e artistas do
século 20. Os participantes criarão/executarão a instalação sonora
Pendulum Music.
Parte 2 - Quadrifonia
Os participantes construirão uma obra quadrifônica em
software, e escolhendo a disposição das caixas para estudar a percepção
acústica das obras. Serão utilizados alguns processos seriais de criação musical, além da apreciação de obras de Stockhausen
e Luciano Berio.
Vagas limitadas!
Inscrições até 16/08 para o email inscricoes.proext.arteciencia@gmail.com, contendo breve currículo, carta de interesse e indicando a disponibilidade de participar em todos os dias da oficina.
A oficina ocorrerá no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Campus São Paulo.
Inscrições até 16/08 para o email inscricoes.proext.arteciencia@gmail.com, contendo breve currículo, carta de interesse e indicando a disponibilidade de participar em todos os dias da oficina.
A oficina ocorrerá no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Campus São Paulo.
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